Realidade e experiência
Ontem ao sair da câmara de vereadores
tive que passar por um teste, um teste divino. Embora eu esteja bem
descontente com Deus, e até duvide de sua existência em alguns momentos,
acho que ele gosta de me provocar. Acho que ele gosta de mostrar o
quanto eu estou errado e que eu tenho muito a aprender.
Indo a pé pela Avenida Duque de Caxias,
junto com dois amigos, encontrei alguns moradores de rua, que pediram o
nosso auxilio. Paramose começamos a conversar com eles, para saber do
que precisavam e como poderíamos ajudar.
Falaram de suas aventuras nas ruas, das
bebidas,das dificuldades de encontrar comida, do preconceito alheio, das
doenças que os acometem, enfim, de tudo.
Depois dessa conversa, continuamos o
nosso caminho e confesso que este contato me chocou, não que eu não
tivesse uma vivência compessoas em situação de rua, mas porque de fato,
isso me fez pensar o quanto eu tenho vergonha de ser chamado de humano.
É inegável que vivemos num mundo
capitalista, onde todas as nossas relações são pautadas pelos bens
materiais que nós temos e não pela nossa essência, mas tudo tem um
limite. É inadmissível ver vereadores supostamente ¨eleitos pelo voto
popular¨ andarem de carros novos e receberem salários astronômicos,
enquanto pessoas passam fome.
Não
vou entrar em divagações teóricasde como seria o meu mundo ideal, mas
percebo, que precisamos evoluir, que precisamos olhar o ser humano não
como mercadoria, mas como sujeitos iguais agente e que precisam ser
amados e respeitados de forma digna.
Recentemente,
vi uma reportagem dramática do baixista de uma das maiores bandas de
rock do Brasil, alegião urbana. Não vou julgar o que levou esse
individuo a chegar nessa situação lamentável, mas é interessante notar o
quanto nós somos frágeis, o quanto somos vulneráveis aos acontecimentos
da vida. Quem iria imaginar, um músico de umadas maiores bandas de Rock
da nossa geração virar morador de rua?
Este
tipo de acontecimento,faz com que a gente enxergue a realidade de
maneira diferente. Nossas relaçõescom pais, irmãos, amigos, com o
vizinho, faz com que nós nos reciclemos enquanto seres de fé, enfim, faz
com que sejamos mais sensíveis a tudo e a todos.
Às
vezes não, pode acontecer o inverso, nos revoltar e nos tornarmos
amargos com a vida e com as pessoas a nossa volta, mas de uma coisa a
gente acaba sempre tendo certeza, de que precisamos mudar, não o mundo,
mas pelo menos a nós mesmos.



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